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ATENDIMENTO COM HORA MARCADA

ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE.
· · Comentários

ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE.

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Quando eu tinha 15 anos, pedi à minha mãe para fazer um segundo furo na orelha. Na época era moda, e todas as meninas estavam furando. Ela, Mestre dos Magos, me respondeu: se daqui a 6 meses você ainda quiser furar, eu deixo. E foi o bastante. Dali a 6 meses voltei, pedi, e ela disse sim. Fim da história.

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É engraçado quanta coisa profunda cabe em questões bem rotineiras. Minha mãe sabia, porque as mães sabem, que as vontades entram e saem da mente adolescente como gente do metrô. Quando me pediu 6 meses, ela desafiou a moda. Ela me desafiou a persistir em uma vontade mesmo depois que a tendência passasse. Se durasse, é porque de fato eu queria. E de fato eu queria, como quis muitas coisas que depois fiz ou comprei, usando em mim mesma a técnica que minha mãe me ensinou.

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Comprei o relógio da foto há 6 anos. Me apaixonei por ele quando entrou na moda e esperei 2 anos para comprar (nunca fui de relógio, então o teste tinha que ser mais longo ainda…). Desde então, uso ele, e só ele, todos os dias. Às vezes nos olhamos e ele dá um suspiro. Já tá velhinho, cansado, ganhou alguns riscos como eu ganhei algumas rugas nos últimos anos. Mas sempre que penso “eu devia trocar, o que as pessoas vão pensar de eu ficar usando o mesmo relógio velho todo dia?”, eu lembro da história do segundo furo. Não é sobre o que as outras pessoas vão pensar. É sobre a minha relação com as minhas escolhas, e sobre como eu vou construindo através delas uma posição que eu gosto, uma vida onde eu me sinto confortável. 

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As tendências trazem uma coisa que a gente busca muito, que é aprovação social. Elas criam esse lugar confortável, onde não somos questionados, onde a aceitação é mais fácil. Não é pra todo mundo usar amarelo onde todos usam preto. Não é pra todo mundo raspar a cabeça onde todos são cabeludos. Seguir a tendência nos deixa mais de acordo, e daí não temos que nos defender tanto.

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Não tem certo ou errado. Em alguns momentos, em alguns lugares, com algumas pessoas, esse “saber o que fazer” pode ser muito bom, traz mais tranquilidade! Mas, no geral, eu ainda costumo ir pela sabedoria jedi da minha mãe: eu me testo. Eu me desafio a bancar minhas escolhas mesmo quando elas não estão em voga. Me ajuda a ser mais dona, me ajuda a entender o que é pra mim e o que é pros outros. E isso, também, traz muita tranquilidade.